Nos Doces Passeios do Engenho

December 23, 2019

 Texto: Marcos Cavalcanti

 

    Se uma foto vale mais do que mil palavras, e por vezes vale mesmo, seria muito pretensioso de minha parte pretender significar nesta crônica festiva de final de ano, todas as festanças pictóricas proporcionadas pelas expedições do Engenho de Fotos, desde que embarquei pela primeira vez rumo às terras de Pedro Américo para pintar com luz e sombra os casarios de sua bela Areia. É claro que bom é se perder e nela me perdi entre os fogs de suas ruas movediças e coloridas, fazendo atrasar em alguns intermináveis minutos, a partida de nossa já nervosa caravana. Entrei no ônibus envergonhado e recebido sob aplausos, abriu-se-me o chão. Foi a lição para não mais esquecer, nem os BOOOOORA de Alex, nem os apitos do Coronel de Azul, que apesar de sua disciplina militar, também se atrasa no encantamento dos clics de sereias imagináveis nas lagoas. Então aprendi que perder-se sim, mas só quando você for um flaneur solitário, nunca numa expedição coletiva.
     Sei que a esperança de pretender tudo retratar é absolutamente vã, mas um pouquinho de Ligthroom, como diz o nosso timoneiro-mor, talvez dê ao rabiscado, pelo menos a ilusão de uma visão de conjunto, sem os rigores de uma linha do tempo precisa. Na verdade, o que traço aqui são apenas evocações episódicas de nossas épicas viagens fotográficas, pois muito melhor fixadas estão nas lentes ágeis de seus excursionistas. Comecemos então do começo, da partida quase madrugadora do Terra Dourada com seu nacionalismo verde-amarelo estampado na frandelagem. As primeiras fotos já são tomadas ali mesmo pelo nosso amigo Papparazi Silvestre, em seu atletismo fotográfico, simplesmente imbatível no clicar. Ser uma de suas vítimas, de seu olhar acusado e ligeiro, é sempre um prazer, ainda que flagrado em atos impublicáveis. De minha vizinha Noélia guardo além das boas conversas de ida e de volta, aquele sorriso, aquela alegria de fotografar mesmo na zona do desconforto: abaixa-se aqui, deita-se ali, estica-se acolá, na busca de capturar o ângulo inusitado e irrepetível. Dos casais amigos, o quê retratar? Bhagwan e Karoll formam o par mais romântico, e seja no pulsar do coração de Baia Formosa, seja nos banquinhos das jangadas ou por sob os galhos acolhedores da árvore do amor, brinda-nos com beijos apaixonados, selando sempre esta iluminada união, cujos  resultados conferimos em fotos e vídeos excepcionais produzidos pelo casal. Dos meus amigos Severino Neto e Maria José sempre espero casarões e igrejas adornadas de nuvens em céu azulzíssimo, sem falar nas formosas silhuetas que saltam da poderosa Nikon de Neto, tão ávidas de primorosos crepúsculos. Do coronel Vidal e de Dona Aurélia, melhor deixar no silêncio o azul monocromático de sua sisuda camisa para falar da presença colorida, alegre e inteligente de Aurélia, de quem tomamos no fluxo das viagens, aulas magistrais. Alex nunca esquecerá os benefícios da algaroba. De Paulo e Kethelen trago as lembranças dos vários ensaios, com a modelo sempre feliz com os clics do companheiro eternizando caras e bocas e paisagens
    O gigante Luiz, que traz a luz no próprio nome, assina os belos reflexos espelhados dos coqueirais de Pipa e outros encantos litorâneos. Máurison é o caçador das imagens inusitadas, com forte densidade expressiva em suas linhas, curvas, diagonais, texturas e experimentalismos que tais. A amiga Olga com seu chapéu procurando os pássaros que sempre se escondem de suas lentes, mas se não encontra pássaros, fotografa as iguanas, os cameleões. Telma é ligeira, quase sempre se desgarra um pouquinho para clicar o não visto pela trupe. Eliane Dias é a nossa jardineira da fotografia clicando flores e seus polinizadores. Belas borboletas vão adorando os seus álbuns! Mardone França é o nosso Dândi caçando choupanas e os traços arquiteturas de um sertão de suas reminiscências. Dona Lourdes é a mais discreta, a mais silenciosa, e sem muito estardalhaço vai colecionando praias, coqueirais e dunas esvoaçantes. Nosso amigo Fernando, mais parece um fidalgo inglês totalmente imerso em seu olhar, pintando de ouro seus belos clics no interior das igrejas e catedrais. Élson também é discreto e escondendo-se por traz de seu marcante bigode nietzscheniano revela-nos boas surpresas. Lúcia é a nossa elegante e arteira fotógrafa, por vezes na mira de seu companheiro e por vezes concentradíssima em seu olhar, apresenta-nos fotos geniais. É melhor dar um salto bruceleeniano e suspenso no ar, desejar a todos boas festas e muita inspiração para que em 2020 possamos renovar as nossas emoções. Ao mestre Alex, o nosso agradecimento especial e continue na pisada nem que seja num disco voador, mas nós levando a lugares encantados e encantadores.

 

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